Luz, gás e seu tempo: os gastos escondidos que comem o lucro
Luz, gás, água, celular, deslocamento, desgaste de ferramenta e o seu tempo são gastos que ninguém soma. Aprenda a estimar cada um sem planilha.
O essencial em 1 minuto
- 01Some a conta de luz do mês e divida pelo tanto que você produziu: esse é o custo de energia de cada bolo, conserto ou marmita que você faz.
- 02Calcule o gás dividindo o preço do botijão por quantos serviços ele aguenta antes de acabar; some isso ao custo de cada venda.
- 03Guarde um trocado por serviço pra repor ferramenta que se gasta, assim o dia da troca nunca pega você desprevenido e sem caixa.
- 04Coloque o seu tempo na conta escolhendo quanto quer ganhar por hora e multiplicando pelas horas reais de cada trabalho, incluindo limpeza.
- 05Deixe a AnaDita somar esses gastos escondidos com você só na voz, pelo WhatsApp: você fala o que pagou e ela faz a conta por venda.
Os gastos escondidos que comem o seu lucro são a luz e o gás que você usa pra produzir, a água, o crédito do celular, o desgaste da ferramenta e — o maior de todos — o seu tempo. Ninguém põe esses custos na conta, e por isso o dinheiro parece que some. A boa notícia: dá pra estimar cada um sem planilha nenhuma, só com umas continhas de cabeça e o caderno que você já tem.
Vou te falar direto: quando você calcula o preço do seu bolo, do seu conserto ou da sua diária, você lembra do ingrediente, da peça, do material. Isso todo mundo lembra. O que ninguém te conta é que a farinha não cozinha sozinha — ela precisa do gás, do forno ligado, da sua mão trabalhando. E esses custos existem, mesmo que você não veja eles na hora.
Por que os gastos escondidos são tão perigosos?
Os gastos escondidos são perigosos porque eles saem do seu bolso sem pedir licença. A conta de luz chega no fim do mês toda junta, o botijão de gás acaba de repente, a ferramenta quebra do nada. Como eles não aparecem na hora que você faz o serviço, você acha que o lucro foi maior do que foi de verdade.
Repara nisso: a Dona Rita faz um bolo, gasta R$18 de ingrediente e vende por R$45. Ela comemora R$27 de lucro. Só que o forno ficou 40 minutos ligado, ela lavou tudo com água quente, usou a batedeira que um dia vai queimar, e passou duas horas de pé na cozinha. Aquele R$27 não é tudo lucro — tem custo escondido ali dentro. Quando ela aprende a enxergar isso, ela para de trabalhar quase de graça.
Se você quer entender por que cobrar só o ingrediente te deixa no vermelho, vale a pena ler o guia sobre por que o seu trabalho precisa entrar no preço. Aqui a gente foca em achar cada gasto que você nem sabia que tinha.
Quanto a luz e o gás pesam de verdade?
A luz e o gás pesam mais do que parece porque quase todo negócio de comida ou conserto precisa deles pra funcionar. Pra estimar sem planilha, o jeito mais fácil é olhar quanto você paga por mês e dividir pelo tanto que você produz.
Olha que beleza como é simples. Digamos que sua conta de luz seja R$150 por mês e boa parte disso é por causa do forno, da geladeira e da batedeira do negócio. Se nesse mês você fez 50 bolos, a luz de cada bolo foi mais ou menos R$3. Simples assim: R$150 dividido por 50 dá R$3.
O gás é igualzinho. Um botijão de R$120 dura, digamos, um mês de produção com 50 bolos. Isso dá R$2,40 de gás por bolo. Então só de luz e gás, cada bolo já carrega uns R$5 e pouco que você nunca tinha somado. Multiplica isso por tudo que você faz no mês e você entende pra onde o dinheiro estava indo.
- Luz: conta do mês dividida pela quantidade que você produziu. Ou, se o negócio é dentro de casa, chuta metade da conta como sendo do trabalho.
- Gás: preço do botijão dividido por quantos serviços ele aguenta antes de acabar.
- Água: se você lava muita coisa (marmita, diária, salgado), separa um pedacinho da conta de água pro negócio: uns R$ 10 a cada R$ 100 da conta.
E o celular, a internet e o deslocamento?
O celular, a internet e a gasolina também são gasto do negócio, mesmo que você use pra outras coisas. Você manda foto do produto, recebe pedido no WhatsApp, faz Pix, procura endereço de cliente. Isso tudo custa crédito e custa combustível.
Pra estimar, pensa assim: se você gasta R$50 por mês de crédito e metade do uso é pro negócio, são R$25 por mês que entram na conta. Divide pelo tanto de serviço que você faz e você acha o custo por venda. É centavo, mas centavo somado vira dinheiro.
O deslocamento é o que mais gente esquece. Se você é diarista e gasta R$8 de ônibus pra ir e voltar, ou R$12 de gasolina pra entregar um bolo do outro lado da cidade, esse dinheiro saiu do seu lucro. Cuidado com isso: entregar de graça longe pode transformar um serviço bom num serviço que dá prejuízo.
Como calcular o desgaste da sua ferramenta?
O desgaste da ferramenta é um gasto que você paga hoje mas só sente lá na frente, quando ela quebra e você precisa comprar outra. Pra não tomar susto, você separa um pouquinho de cada venda pra repor o que vai gastando.
Repara na conta: a batedeira da Dona Rita custou R$300 e vai durar mais ou menos 3 anos batendo bolo todo dia. São uns R$100 por ano, ou uns R$8 por mês. Se ela faz 50 bolos no mês, são uns 16 centavos de batedeira por bolo. Parece pouco, mas é esse pouco que, guardado, paga a batedeira nova quando a velha pifar.
Vale pra tudo: a furadeira do pedreiro, a máquina de costura, o alicate do técnico, a chapinha da manicure. Toda ferramenta se gasta. Se você guarda um trocado por serviço, o dia da troca não te pega desprevenido — e você não precisa parar o negócio esperando juntar dinheiro.
O maior gasto escondido de todos: o seu tempo
O seu tempo é o gasto escondido mais caro de todos, e o único que você nunca recupera. Cada hora que você passa produzindo, entregando, comprando material ou limpando é uma hora que você poderia estar descansando ou ganhando com outra coisa. Seu trabalho vale dinheiro, viu?
Pra colocar o seu tempo na conta, decide quanto você quer ganhar por hora. Digamos que você ache justo R$15 a hora do seu trabalho. Se um bolo leva 2 horas entre bater, assar, decorar e limpar, são R$30 do seu tempo dentro daquele bolo. Junta com o ingrediente, a luz, o gás e a ferramenta, e aí sim você sabe quanto o bolo custou de verdade.
O que ninguém te conta é que trabalhar de graça «pra não perder o cliente» sai muito caro. Se você sente que trabalha o dia todo e sobra pouco, muitas vezes é o seu tempo que está sendo dado de graça. Depois de somar tudo, vale conferir quanto você ganha de verdade depois dos gastos — muita gente se assusta na primeira conta, e aí ajeita o preço.
Como juntar tudo sem planilha?
Pra juntar todos os gastos escondidos sem planilha, você faz uma continha única por mês: soma luz, gás, água, celular, deslocamento e um trocado de ferramenta, e divide pelo tanto que você produziu. Esse número é o custo escondido de cada venda — e você soma ele ao ingrediente e ao seu tempo pra achar o preço certo.
Não precisa ser exato no centavo. Um chute honesto já muda tudo. O erro não é errar por R$2 — o erro é achar que esses gastos são zero. Anota no caderno uma vez por mês: «custo escondido do bolo: uns R$8». Pronto, agora ele existe na sua conta.
É exatamente esse tipo de conta que a AnaDita faz com você. Você fala «paguei R$150 de luz e fiz 50 bolos esse mês» e ela já te diz quanto foi por bolo. O caderno continua sendo seu — ela só passa a limpo e faz as continhas que dão preguiça. Do jeito que você conta pra uma amiga, na sua língua.
Em uma frase: luz, gás, água, celular, deslocamento, desgaste de ferramenta e o seu tempo são gastos reais — some cada um por mês, divida pelo que você produz, e o lucro que sobra passa a ser verdadeiro.
Perguntas frequentes
como sei quanto a luz custa em cada produto que eu faço?
preciso somar mesmo o desgaste da ferramenta no preço?
como colocar o meu tempo na conta se eu trabalho sozinha?
e se eu não conseguir calcular tudo certinho?
a AnaDita ajuda a somar esses gastos escondidos?
Sobre o autor
Fundadora da AnaDita · Agência Regina Jugaad de Marketing e IA
Laura Amorim (Laura Jugaad) é engenheira eletricista pela Unicamp e fundadora da AnaDita — produto da Agência Regina Jugaad de Marketing e IA. Escreve para o microempreendedor brasileiro que faz, mas trava na burocracia digital.
- Engenheira Eletricista (Unicamp)
- Fundadora da AnaDita
- Agência Regina Jugaad de Marketing e IA